Deise Soares | OS DESAFIOS DE SE PROJETAR NO LITORAL BAIANO

Gestão de Projetos

OS DESAFIOS DE SE PROJETAR NO LITORAL BAIANO

O assunto de hoje é escrito pela  Anelise Keffer – Arquiteta ( Salvador, Bahia), o assunto veio através de uma conversa que tivemos sobre a diferença de se projetar em diversos Estados do Brasil! Anelise é Gaúcha e atualmente mora (6anos) em Salvador.

OS DESAFIOS DE SE PROJETAR NO LITORAL BAIANO- Por Anelise Keffer – Arquiteta

Os desafios de projetar estão presentes em todas as regiões e em todos os setores de atuação do arquiteto, no entanto, na Bahia encontramos dificuldades completamente diferentes e específicas, como a necessidade de adequar o projeto as necessidades climáticas do lugar, pois diferente do sul do país onde as estações são bem definidas e existe verão e inverno, aqui na Bahia as estações se dividem em seca e chuvosa. A cultura local é outro item muito importante a ser levado em consideração, assim como os materiais encontrados na região.

Para se construir uma casa no litoral de Salvador, primeiramente alguns itens devem ser analisados, como por exemplo, as características naturais dos terrenos e as questões ambientais. Muitas áreas do nosso litoral são atualmente consideradas APAs (áreas de preservação ambiental) ou APPs (áreas de preservação permanente). No primeiro caso, qualquer construção demandará estudos ambientais específicos relativos ao impacto ambiental que a construção pode causar. No segundo caso, das APPs, qualquer construção é proibida. Porém, é frequente a compra “cega” de terrenos em áreas de preservação e somente após os primeiros estudos e o desembolso de quantias razoáveis de dinheiro o proprietário descobre que não é permitido construir no local.

Outra dificuldade é quanto as inundações. Este é um problema que pode acontecer em qualquer lugar, mas no litoral é comum haver lotes em áreas muito baixas, em cotas próximas ao nível do mar e que podem alagar facilmente, por isso é fundamental um bom projeto de drenagem antes de começar a obra. Construir subsolos também é uma tarefa difícil e cara, já que o nível da água se encontra muito próximo das camadas superficiais do solo, por isso vale a pena investir em sondagens do subsolo antes de começar a projetar.

Ao se começar a construção outro item a ser analisado é o material a ser empregado. Aqui no litoral sofremos muito com a maresia, Salvador é umas das cidades com maior grau de salinidade do mundo e por isso muitos materiais que estamos acostumados a usar no sul do Brasil, aqui não podem ser utilizados. O ferro, por exemplo, é um dos elementos mais atacados pela maresia, portanto se as ferragens não estiverem bem cobertas e protegidas pela massa podem sofrer e causar rupturas nas estruturas com o passar do tempo.

 

Quanto as alvenarias, essas não sofrem muito com a maresia, mas se não forem bem feitas, a tendência é a umidade infiltrar nas paredes, pois a cidade é extremamente úmida. Por esse motivo uma das escolhas mais comuns é revestir as paredes com pastilha cerâmica.

Para as esquadrias podem ser usados diversos materiais, como o PVC, madeira e alumínio, mas o preferido entre os arquitetos da região é o vidro temperado que é simples, barato, bonito e não requer muita manutenção.

Outros cuidados na hora de projetar são usar beirais largos e varandas para poupar partes da construção das intempéries, portas e janelas grandes para maior ventilação e iluminação dos ambientes, dê preferência a pisos frios e de fácil manutenção para dar mais conforto a circulação de pessoas pós banho de mar, use cores claras e alegres, a ligação do interior com o exterior é muito importante, projetando varandas generosas. As plantas no jardim também ajudam a manter a temperatura agradável, além de dar aconchego.

Com isso vemos que a forma de fazer arquitetura no Nordeste ou em qualquer outra parte do mundo, apesar das diferentes formas construtivas, nada mais é que criar o espaço de forma que ele não se limite ao simples abrigo, mas sim respondendo às manifestações do pensamento, da cultura e dos valores socioeconômicos do local.